Paranapanema vai elevar uso de matéria-prima de terceiros

09/02/18
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Valor - Renato Rostás - 09/02/2018

A fabricante de cobre e produtos refinados Paranapanema enxerga no uso de matéria-prima de terceiros uma possibilidade para aumentar a ocupação da capacidade, melhorar a rentabilidade e alavancar seu resultado já a partir deste ano. Dado que a tendência de preços mais altos seja mantida, a empresa acredita que pode começar a diluir custos transformando o metal de terceiros no Brasil e vendendo ao exterior.

André Gaia, diretor financeiro da companhia, lembra que historicamente a Paranapanema funcionou como uma produtora verticalizada, que extrai o minério usado nas fundições e o processa em produtos de maior valor agregado. Mas o volume que poderia produzir caso também recebesse o fornecimento de terceiros dá um potencial multiplicador às operações.

"O que conseguirmos elevar além da capacidade que estava sendo usada já ajuda a diluir custos e melhora a competitividade da companhia em todas as linhas", explica o executivo, em entrevista ao Valor. Atualmente a fundição recebe até 280 mil toneladas por ano, mas no limite a capacidade total é de 570 mil toneladas de produtos.

Em teleconferência para comentar os resultados do quarto trimestre e de 2017, Marcos Câmara, presidente da empresa, ressaltou que no ano passado os esforços foram muito concentrados na reestruturação financeira, mas em 2018 a operação é o foco.

"Em 2017, dedicamos quase 75% do tempo à reestruturação, que foi bastante complexa", explicou Câmara. "Agora, queremos mudar a agenda financeira para ter 100% de foco na operação. O nosso uso de capacidade está muito abaixo do potencial."

A estratégia de ocupação da capacidade começa agora, mas a perspectiva é que avance ao longo do tempo, não imediatamente. A Paranapanema acredita que qualquer avanço já ajudaria a levantar as margens. Para se ter uma ideia, se não houver nenhuma surpresa de preços do cobre e a ocupação das unidades estivesse próxima a 100%, o custo fixo poderia ser cortado em quase 30%.

"Essa estratégia de alavancagem operacional nós estamos montando para o longo prazo, certamente não acontecerá já em 2018", ressalta Gaia. "Mas, já neste ano, acreditamos que as medidas de produtividade vão melhorar o resultado operacional."

Não há uma meta formal, mas o desafio da empresa é fechar o ano no azul. Em 2017, a metalúrgica já diminuiu o prejuízo líquido em 64%, para R$ 135,7 milhões, mas os efeitos da ociosidade - especialmente nos nove primeiros meses, por falta de recursos no capital de giro - e a variação da dívida em dólar derrubaram a última linha do balanço.

Na teleconferência, Câmara comentou a busca por outros mercados externos. "Temos agora diversas iniciativas para ocupar novos territórios sobretudo no Oriente Médio e na Ásia, para fios e vergalhões", declarou. "A unidade de Utinga [Santo André] foca na região das Américas. Temos boa presença no Cone Sul, mas estamos no momento desenvolvendo oportunidades nos Estados Unidos."

Segundo Gaia, a percepção, em conversas com o parceiro distribuidor nos EUA, é de que há espaço para vender mais. No mercado interno, já são observados sinais positivos de demanda pelo cobre principalmente dos setores automotivo, de eletrodomésticos - refrigeração, em especial - e até da construção civil. Falta, no entanto, a retomada da infraestrutura, diz Câmara.

Sobre dividendos, o executivo lembra que já havia a previsão para 2016, mas os acionistas toparam adiar o pagamento até que a situação melhorasse. "Pode ser pago até o fim de 2019. No futuro, dividendos vão depender do nosso resultado e da capacidade de absorver prejuízos acumulados."

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