Eventual afastamento do Brasil com o Mercosul preocupa países membros

08/11/18
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DCI - Paula Salati - 08/11/2018

Representantes dos países membros do Mercosul mostram preocupação com um eventual rompimento ou afastamento do Brasil com relação à União Aduaneira.

“É importante nos mantermos juntos”, afirmou ontem o adido comercial do Paraguai, Sebastian Bogado, durante um evento na FecomercioSP, sobre os negócios entre as empresas do bloco. “A flexibilização [do Mercosul] pode produzir uma distorção de mercado”, completou.

Em recentes declarações, o futuro ministro da Economia do País, Paulo Guedes, disse que o bloco sul-americano, formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, não seria uma prioridade.

O vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, disse, após a sua apresentação, que o Brasil, provavelmente, não deve romper com o Mercosul e que se isso ocorrer seria um risco, tendo em vista que o bloco se encontra, atualmente, em negociações comerciais importantes, como com a União Europeia (UE), Canadá, Coréia do Sul, Associação Europeia de Livre-comércio (EFTA) e Singapura.

“Não devemos renunciar ao Mercosul”, reforçou. “A experiência mostra que países ativos no mercado internacional ganham em produtividade, diminuem o desemprego”, acrescentou Medrano.

O cônsul geral da Argentina, Luis Castillo, que acompanha a união aduaneira desde a sua fundação (1991), afirmou que é preciso esperar o restante da formação dos ministérios, especialmente, os nomes que irão ocupar o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), para uma melhor avaliação sobre os futuros do Mercosul. “Não sabemos quais as decisões que serão tomadas. Temos ainda dois meses de transição”, afirmou Castillo.

Contudo, ele aponta que a crítica de Guedes de que o bloco é “ideológico” não se sustenta mais. “A Venezuela está fora [do Mercosul]. A decisão de suspendê-la foi tomada no ano passado”, lembrou Castillo. A suspensão ocorreu em agosto de 2017 por “ruptura da ordem democrática”.

Preferência

O cônsul da Argentina destaca que há, atualmente, um alinhamento de intenções comerciais e de negócios entre os países membros do Mercosul, o que, portanto, não justifica uma desintegração do bloco. “Você não se separa da sua mulher se você quer ir para o mesmo lado que ela”, disse.

Castillo comentou também que se o Brasil começar a negociar com os demais países sem o Mercosul, os mercados argentino, paraguaio, uruguaio podem ser prejudicados na medida em que eles percam a preferência tarifária. Isso poderia prejudicar, por exemplo, empregos e setores importantes desses países.

“A união aduaneira foi feita para aproveitarmos os mercados de forma recíproca. Não falo que não tem que fazer [negociar fora do Mercosul], mas não é algo tão simples. É verdade que você recupera o poder de negociação, mas o projeto do Mercosul mudaria completamente”, reforçou.

Castillo também mostrou preocupação com a guerra comercial entre os Estados Unidos (EUA) e a China. Ele destaca que esta tende a ser uma nova “guerra fria”, com impactos importantes na configuração dos negócios e das trocas comerciais entre os países.

“Durante a Guerra Fria, os EUA e União Soviética não se combatiam diretamente. A disputa se dava em outros territórios, como aconteceu no Vietnã. Naquele período, também não havia muita conexão entre os países, como ocorre hoje. Os negócios entre os EUA e a China ocorrem, hoje, de forma muito fluída, o que significa dizer que uma disputa entre esses países se daria no terreno comercial e financeiro”, comenta Castillo

Dados

Segundo dados do Itamaraty, as trocas dentro do Mercosul passaram de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 40,4 bilhões em 2017. Nos últimos cinco anos, a média tem sido de US$ 40,8 bilhões ao ano. O bloco é o principal receptor de investimentos estrangeiros, sendo responsável por 46% dos aportes diretos na América Latina e 65% na América do Sul.

 

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