M&A e empresas familiares: como se preparar para o novo ciclo de negócios

23/02/2026

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) segue aquecido, especialmente nos setores de saúde e educação. Fundos de investimento e grupos consolidadores têm ampliado o interesse por empresas de médio porte, inclusive fora dos grandes centros urbanos, atraídos pelo potencial de expansão regional, ganho de escala e menor concorrência direta.

Clínicas, hospitais, laboratórios, escolas e faculdades com forte presença regional passaram a integrar o radar de investidores estratégicos que buscam consolidação e eficiência operacional. Para empresas familiares, esse cenário pode representar oportunidade de crescimento estruturado, sucessão organizada ou realização de valor. No entanto, a decisão de vender, captar investimento ou se associar exige preparo técnico e visão estratégica.

Empresas familiares enfrentam desafios próprios em operações dessa natureza. É comum a gestão centralizada, a ausência de processos formalizados e pouca familiaridade com negociações complexas. Soma-se a isso o fator emocional: muitas vezes, o negócio representa o principal patrimônio da família. A falta de experiência em M&A pode gerar expectativas desalinhadas, avaliações imprecisas e dificuldade em compreender as exigências de investidores.

A etapa de auditoria (due diligence) costuma ser um divisor de águas. Nela, aspectos contábeis, fiscais, societários e contratuais são analisados de forma minuciosa. Empresas que não se estruturaram previamente podem enfrentar questionamentos que impactam o preço, alteram condições da negociação ou até inviabilizam a operação.

Na prática, alguns pontos concentram as principais discussões. A definição de ajustes de caixa e capital de giro na data de fechamento influencia diretamente o valor final da transação e exige critérios objetivos para evitar disputas futuras. O tratamento de recebíveis anteriores ao fechamento, mas pagos posteriormente, também precisa estar claramente definido. A estrutura de pagamento — que pode envolver parcelas, retenções e mecanismos como earn-out — deve prever regras transparentes sobre prazos, garantias e condições de liberação.

As cláusulas de declarações e garantias exigem equilíbrio técnico, delimitando responsabilidades de forma proporcional. As regras de indenização precisam estabelecer limites e prazos claros, reduzindo incertezas. Já as cláusulas de não concorrência devem observar critérios razoáveis de prazo e abrangência territorial.

O sucesso de uma operação de M&A depende da capacidade de alinhar expectativas e estruturar contratos sólidos. Excesso de rigidez ou falta de equilíbrio podem comprometer o fechamento ou gerar litígios após a conclusão do negócio.

Em um mercado favorável, a preparação prévia e a assessoria especializada são determinantes para preservar valor, mitigar riscos e garantir segurança jurídica ao novo ciclo empresarial. O planejamento adequado permite que a empresa conduza negociações com maior previsibilidade e proteção patrimonial.

O Natal & Manssur permanece à disposição para avaliar cenários específicos e apoiar empresas familiares na estruturação e condução estratégica de operações societárias.

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