16/04/2026
O governo Lula considera dar fim ao imposto cobrado sobre produtos importados em sites como Shein, Shopee e AliExpress – a chamada “taxa das blusinhas”, imposta pela atual gestão em 2024. Segundo apuração da reportagem, avaliações dentro do governo apontam que a medida tem gerado desgaste eleitoral.
Um levantamento recente da AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, confirma o desgaste político da medida: segundo a pesquisa, 62% dos brasileiros avaliam que a taxa das blusinhas foi um erro do governo, enquanto 30% a consideram um acerto.
Em vigência há quase dois anos, o tributo estabelece alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Para valores acima desse patamar, a tributação chega a 60%, com desconto fixo de US$ 20.
Dados da Secretaria da Receita Federal mostram que, em 2025, o governo federal arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões com o imposto de importação sobre encomendas internacionais. Em 2024, a arrecadação também já havia sido a maior da série histórica, somando R$ 2,88 bilhões.
“Taxa das blusinhas” reduziu consumo de importados entre baixa renda
Há dados que, contudo, demonstram que a taxação teve impacto negativo, principalmente sobre o consumidor de menor renda. De acordo com pesquisa da Plano CDE, o consumo de importados das classes C, D e E havia caído 35% entre junho de 2024 e abril de 2025. O impacto foi três vezes maior do que o verificado entre consumidores das classes A e B, que reduziram as compras internacionais em 11%.
Setor produtivo pressiona pela manutenção
Por outro lado, na visão do setor produtivo nacional, a tributação tem ajudado a equilibrar a concorrência com varejistas e fabricantes brasileiros.
No início de abril, representantes da indústria, do comércio e do varejo divulgaram um manifesto a favor da manutenção da taxa das blusinhas. No documento, as mais de 50 entidades signatárias argumentam que, depois que o imposto começou a ser cobrado, foram criados mais empregos e ampliados os investimentos.
Segundo a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), no primeiro ano de vigência da taxação, o setor do varejo nacional teve crescimento de quase 6% nas vendas, acompanhado pelo aumento de 3,9% no número de vagas no comércio.
Governo se divide sobre revogação
Internamente, o governo está dividido quanto à mudança. O presidente Lula se manifestou a favor da anulação do tributo – em fala a jornalistas nesta terça-feira (14), o petista disse que achava desnecessária a taxa das blusinhas e que compreendia “o prejuízo que isso trouxe” para o governo.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, tem argumentado que o impacto fiscal de uma eventual reversão da taxa das blusinhas seria limitado. A ministra disse ao O Globo que a arrecadação com o imposto é um montante administrável dentro do orçamento federal. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, é outro incentivador da reversão do imposto.
A dúvida é sobre o apoio do Ministério da Fazenda. Técnicos do órgão negam que o Planalto tenha solicitado a reversão do tributo. Além disso, a pasta defende que o imposto é essencial para proteger a indústria nacional e empregos gerados por ela.
Confira a íntegra da matéria no site da Gazeta do Povo (clique aqui).